sexta-feira, 3 de junho de 2011

Educar é o mais difícil

Dia desses, fomos a uma festa infantil. Dessas em que as crianças estão todas fantasiadas e existem vários animadores fazendo gincanas e brincadeiras.
É claro que todas as crianças queriam ganhar tudo. Yasmin não era diferente. "Mamãe, quero ganhar um adesivo daqueles!" "Depois eu compro pra você, filha." "Não, mãe, eu quero esses.". Claro que ela queria o que podia conquistar sozinha. Não o que eu compraria e lhe daria de graça. Uma a uma as crianças foram ganhando, e muitas outras iam perdendo. Foi a hora de ensinar a perder. Como se ensina a perder?
Chamei Yasmin no canto e comecei a falar sobre a importância de brincar sem se preocupar em vencer. Que as outras crianças era mais velhas e tal. No meio disso tudo, ela brincou e venceu! Uffa!!! Daniel e eu ficamos mais felizes do que ela. "Foi o adesivo mais sofrido de toda a minha vida", Daniel resmungou. Ela ficou super feliz...por 5 minutos. E aí já queria vencer de novo. Só que as crianças que já tinham vencido não participavam mais, para dar chance a todas. Aí foi a hora de "Filha, você já ganhou seu adesivo. Agora é a vez das outras crianças... Todo mundo tem que ganhar..."
Finalmente, a gincana acabou. Ainda bem! Sobrevivemos! E aí começou um desfile das fantasias. E as crianças desfilaram sem saber o prêmio. Ao final, foi anunciado que tinha acontecido um empate entre todas as crianças e que elas deveriam fazer uma fila para ganhar presentes. Que legal, pensei.
E lá foi Yasmin pra fila. A moça pediu que fizessem um trenzinho até a sala onde estavam os brinquedos. Quando Yasmin colocou a mão na cintura da menina da frente, a menina empurrou suas mãos. Yasmin colocou novamente, e teve as mãos retiradas novamente. Levantei de onde estava e fui lá. "Filha, deixa quieto. Só fica atrás dela e pronto!", completamente chateada com a atitude de uma menina beirando uns 6 anos. Yasmin assim o fez, seguiu na fila e pegou uma Barbie de presente. Toda feliz, veio em minha direção mostrando o presente.
Daí a pouco, veio a pergunta mais triste que já ouvi. "Mamãe, nem todo mundo gosta de mim, né?" Como alguém poderia não gostar de você, filha, tão perfeita, tão boa? Eu poderia mentir, já que, como mãe, acho impossível não amarem minha cria. Mas preferi falar a verdade e prepará-la pra vida. "É filha. As pessoas são diferentes e gostam de coisas e pessoas diferentes. Ao longo da sua vida, várias pessoas vão gostar de você e outras não. Da mesma forma que você vai gostar mais de umas pessoas e menos de outras. Pra dar chance de todas as pessoas terem amigos, né?" Falei com o coração partido.
Educar é o trabalho mais difícil dos pais.

2 comentários:

tania c vale campos disse...

filha, vc me emociona com sua maturidade adquirida com a maternidade, vc é linda! te amo e sempre aprendo com vc, obrigada!

Marcella disse...

Nossa, tia, tenhomuito o que aprender nessa vida ainda... o pouco que sei aprendi com pessoas maravilhosas e sábias como vc. Obrigada por estar sempre por perto.
Amo-te!